Futebol é Show de Bola

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Tarde de domingo, antevéspera do feriado da Proclamação da República, chuva fina caindo, esperávamos pelo início da partida entre Inter e Palmeiras no Estádio Beira-Rio, a última do Campeonato Brasileiro deste ano. E o público, que pensávamos permaneceria pequeno, em curto espaço de tempo passou dos trinta mil. Foi bonito de ver o número expressivo de crianças que compareceram na festa em que se transformou aquele jogo.

Na hora do Hino Nacional, torcida respeitosa, em pé, cantando, olhares voltados à Bandeira do Brasil, como se aprende na escola. E, depois do momento cívico, na descontração típica das torcidas, aplausos e cânticos reverenciando o amor pelo time do coração.

Futebol é mesmo um show de bola, no sentido mais amplo que esta redundância possa comportar. Eis meu pensamento recorrente sobre esse esporte que tanto admiro, riqueza nacional tipo exportação, arte de primeira no universo dos esportes de equipe. E que poderia contribuir sobremaneira nas melhorias educacionais e sociais do País.

Neste domingo, 20 de novembro, uma semana depois daquela maravilhosa tarde futebolística que encerrou o Brasileirão, tem início a vigésima segunda Copa do Mundo, competição na qual participam os melhores de cada continente. E os grandiosos espetáculos esportivos, desta vez, acontecem no Catar, um pequeno e riquíssimo país do Oriente Médio, vizinho da Arábia Saudita.

Verdade seja dita, desde o anúncio desse país como o escolhido para sediar a Copa 2022, fiquei incomodada pela enorme contradição. Catar é um emirado, ou seja, administrado pelo emir, integrante de família da classe abastada, com mandato vitalício. É uma monarquia absolutista e constitucional, partidos políticos são proibidos, mulheres não frequentam estádios, trabalhadores da construção são tratados como escravos e a homofobia é legalizada. Está explicada a minha contrariedade.

Contudo, estou me esforçando para enxergar o lado positivo que possa existir nesta incoerência. Esperançosa de que a simples presença de pessoas que pertencem ao mundo democrático, respeitadoras dos direitos e deveres humanos, livres de preconceitos e de fanatismos religiosos, sem ódio no coração e acompanhados de familiares, abram espaço para melhorias comportamentais, como a liberdade de escolha.

Neste domingo, 20 de novembro, começa a Copa do Mundo que acontece no Catar, uma semana depois da bela festa que presenciei no Estádio Beira-Rio, com famílias confraternizando e cantando na maior alegria que a liberdade de expressão pode proporcionar.

Futebol é mesmo um show de bola, no sentido mais amplo que esta redundância possa comportar.

 

Cristina André

cristina.andre.gazeta@gmail.com

Publicado em 18/11/22

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