Com base em quatro décadas de cobertura jornalística de campanhas eleitorais, afirmo o que segue. Irá aumentar ainda mais a intensidade de anúncios de projetos governamentais a serem desenvolvidos neste ano.
Em 2025, já tivemos rajadas de anúncios em atos dramáticos, com gestores públicos rodeados por pencas de assessores mostrando pastinhas com projetos a serem executados. O gestor no centro da foto mostrando a pastinha aberta e os assessores na volta sorrindo. Marketing cafona, mas que ainda encanta inocentes. O show de anúncios de pastinhas explode em ano eleitoral antes das restrições legais.
Projetos mofados também voltam à cena, como se fossem novidade, contando com a amnésia dos faceiros disponíveis.
Duas Máquinas e um Tapume
Em alguns casos mais ousados, montam um tapume e aparecem duas máquinas movimentando-se pra lá e pra cá. Rendem fotos nas redes sociais. Não raro, aparece um galpão – sim, gostam de galpões: cenário de promessa com baixo custo.
Certa vez, em Guaíba, enfileiraram caminhões no meio do barro – lá na área das pedras fundamentais -simulando o CD de uma fábrica de caminhões, anunciada com pompa e circunstância, que nunca aconteceu.
Até hoje, o Ernani Chacrinha dá risada ao lembrar da manchete na Gazeta – “Caminhões no Meio do Barro”.
Em outra cerimônia de pedra fundamental na Aldeia, com palanque apinhado de autoridades e muitas empadinhas sobre mesas floridas, uma empresa ligada ao mundo pet doou um cachorrinho fofo para a ex-governadora Yeda Crusius. Lembro do óóóóó…
E assim seguiram tantos outros anúncios festivos, carregados de discursos fortes e emoção transbordante, que sumiram no tempo. Eles estão voltando, sempre voltam em anos eleitorais, repaginados ou como novidades, sobre palanques apinhados de autoridades ou com pré-candidatos mostrando pastinhas rodeados de assessores felizes.
Sigo na Torcida
Antes que alguém corra para criticar suposto pessimismo deste colunista crítico, declaro veementemente que sigo torcendo para que todos os bons projetos anunciados sejam executados, pois moro e trabalho na Aldeia e foco na prosperidade. A questão em tela é o ilusionismo eleitoral.
Festa pro Vento
Na quarta-feira, 25 de fevereiro, recebi convite para participar de um evento que aconteceria três horas mais tarde no Píer da Orla Central de Guaíba. Convite enviado três horas antes de iniciar o evento é grosseria certificada. Coloquei as barbas de molho. Não consegui ir, mas observei a certa distância. Uma produção das grandes, tipo entrega do Oscar na Beira. O Píer brilhava e o vento soprava forte.
Foi uma cerimônia de lançamento do Guaíba Regeneration Summit (te mete!), evento programado para acontecer nos dias 19 e 20 de março em Guaíba. Ver nota nesta edição.
Resumo da bufa: evento mal divulgado, em local de ventania extrema, resultou em público reduzido, muito reduzido. Me atrevo a dizer que foi uma grande festa para o vento.
Revolta na Polícia
O indivíduo que matou o policial civil Daniel Mendes, de 40 anos, durante uma operação policial no município de Butiá, em janeiro de 2025, está solicitando indenização por excessos policiais no valor de R$ 68,3 mil. A revolta é grande entre os policiais do RS.
É de cair os butiás dos bolsos!
O Mau Exemplo
Praticamente mataram uma árvore de 50 anos na Rua São José, Centro de Guaíba. Deixaram só o tronco como monumento ao descaso com a arborização urbana.
Os Cantores
Para relaxar um pouco e sair da casinha, indico o curta de 18 minutos “The Singers” (Os Cantores), de Sam Davis, que está passando na Netflix. Sensacional. É diferente, mas muito bacana.
Leandro André

