A aposentadoria segura é um alvo desejado pela maioria das pessoas. Ter um teto e alimentação diária. A possibilidade de viver sem compromissos obrigatórios e sem cobranças externas, e ter todo o tempo livre só para fazer o que quiser. A chance de ter escolhas.
Pois é. Chegou para mim. Agora cada dia é um desafio diferente, para bem aproveitar esta oportunidade. Não está tão fácil. Em especial, resistir as atrações via celular. Me sinto também afortunado, porque meus três filhos escolheram seus caminhos profissionais, constituíram suas famílias, estão suficientemente saudáveis e satisfeitos.
Meu relacionamento de casal está bem. Então… o que agora? Tem uma questão bem polêmica que aparece como direção: buscar a felicidade… Mas, quem busca a felicidade? Surge a pergunta número um do ser humano: quem sou eu? Ou mesmo, o que sou eu?
Gosto da hipótese de que somos seres espirituais com uma experiência terrena, embora sem consciência plena disto, porque nascemos e vamos sendo empurrados a copiar o mundo a nossa volta. Agora, com tempo livre, se aprofundam as questões: conduzi bem minha vida? E, qual mesmo o objetivo da Vida? O que é felicidade?
Dica do Buda: pare de fazer o mal, fazer o bem purifica teu coração, dirige tua mente.
A sociedade de consumo traduz felicidade como desfrutar de prazeres. Curiosamente, surge a reflexão de São Tomás de Aquino no Século 13. Os 7 pecados capitais e seus antídotos se apresentam como escolhas desafiadoras: gula x moderação; preguiça x diligência; orgulho x humildade; ganância x generosidade; luxúria x moderação; ira x paciência; inveja x caridade.
Entramos em 2026 com todos desejando mutuamente votos de saúde, amor, prosperidade, realização dos sonhos… E para tudo isso precisa autoconhecimento, discernimento, disciplina, esforço, foco, atenção, presença… com apoio das 7 virtudes opostas aos pecados capitais. São as escolhas que vão definir nossa qualidade de vida e nos aproximar da tal felicidade.
É interessante observar que se não tivermos investido em autoconhecimento e construção de ideais mais elevados para nos sustentar, a aposentadoria pode se tornar um tempo de autodestruição pela sedução dos sentidos que pressionam por gratificação instantânea e permanente. O estranho desafio de ter escolhas. Ótimo 2026!
Joaquim Mello Neto

