Não precisa explicar, eu só queria entender

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Havia um programa de humor na tevê brasileira, produzido pela Rede Globo nos anos setenta e oitenta, chamado “Planeta dos Homens”. Criação inspirada no clássico filme de ficção científica “Planeta dos Macacos”, que levou mais de trinta milhões de pessoas aos cinemas mundo afora no final dos anos sessenta, dando origem à franquia que até hoje faz sucesso.

No filme, um astronauta faz aterrissagem forçada e descobre que a Terra está sob o domínio de primatas, como chimpanzés e gorilas, dotados de inteligência que ultrapassara a dos humanos. Tentando compreender a nova realidade para garantir sua sobrevivência, sai à procura de homens e mulheres que se tornaram escravos para lutarem juntos por liberdade.

No programa de humor chamado “Planeta dos Homens”, uma sátira brasileira do filme norte-americano, em um de seus mais famosos quadros, aparecia o macaco Sócrates lendo notícia importante de um grande jornal. Do tipo: “Diversos países já têm bomba com capacidade de destruir o Planeta Terra cem vezes”. Depois da leitura, ele levantava uma dúvida: “Mas se uma única bomba destrói a Terra toda, por que fabricar uma para destruir cem vezes?”.

Depois da leitura em voz alta, completava com o comentário que se transformou em gíria brasileira muito usada na época: “Não precisa explicar, eu só queria entender!”. E os telespectadores então ouviam o final em diversas vozes ritmadas: “O macaco está certo!”.

Tanto o filme de ficção científica quanto o programa humorístico de tevê realizaram importantes críticas sociais e políticas. Causando exagerada desordem entre realidade e ficção científica, fazendo graça com sutileza, enviando chamados filosóficos.

Tenho lembrado com frequência do programa “Planeta dos Homens”, humor inspirado na ficção científica do filme “Planeta dos Macacos”, nesses tempos de direitos e deveres passando por desordem que tenho procurado entender. Especialmente pelas incontáveis perguntas que faço a mim mesma, cujas respostas repetem o jargão do macaco Sócrates: “Não precisa explicar, eu só queria entender”.

 

Cristina André

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