Quem gosta da cidade onde mora se envolve com ela, participa ativamente de questões sociais; critica a falta de cuidado com a infraestrutura, as falhas da gestão pública; dá sugestões e reivindica melhorias.
Quem gosta de verdade da cidade onde mora aponta os defeitos, mas não gosta quando os de fora fazem isso. É como os pais com seus filhos.
Quem gosta da cidade onde mora mantém fortalecido o sentimento de pertencimento à comunidade. Quando este sujeito que se preocupa com a sua cidade viaja, faz duas coisas básicas: ao observar cenários bacanas, imediatamente projeta no seu município e faz questão de compartilhar; quando volta pra casa se sente confortável.
Compartilho ideias
Eu gosto de Guaíba, então faço parte do perfil descrito acima. Isso significa que compartilho ideias bacanas que observo em outras cidades na esperança de que sejam executadas na Aldeia. Por exemplo, em 2024, estava em Blumenau, Santa Catarina, e frequentei a Rua XV de Novembro, um trecho central que foi revitalizado e se transformou num ponto turístico e gastronômico muito bonito, mais do que isso, num espaço agradável para curtir com amigos. Sabem o que fiz? Fotografei e enviei para o prefeito Marcelo Maranata. Sugeri que fosse feito algo parecido na Rua Cônego Scherer. O prefeito manifestou interesse e tal, mas até o momento ficou no e tal…
Outro dia, em visita a Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, a mesma coisa que em Blumenau, fiquei impressionado com a conhecida Via Gastrô, importante espaço gastronômico com vários bares e restaurantes; muito bacana.
Não pensem que os exemplos que citei exigem grandes investimentos públicos, não. Guaíba tem recursos para implantar espaços semelhantes e até melhores, mas não acontece. Isso me incomoda, porque gosto da Cidade e não vejo seu potencial turístico ser aproveitado, com planejamento e profissionalismo, de acordo com a realidade do Município; pelo contrário. Ou fica tudo como está, com gambiarras aqui e ali, ou criam projetos mirabolantes, gigantes, que não saem do papel.
Na Boca do Estômago
Não sou muito fã de Gramado, acho tudo muito caro, além de ruas superlotadas. No entanto, reconheço que é uma cidade muito bonita, muito bem cuidada. Nas ruas centrais, a fiação é subterrânea (que inveja), os canteiros são perfeitos, floridos (mais inveja); as ruas limpas e iluminadas, as calçadas são lisas (sonho).
Excepcionalmente, quando vou a Gramado, tenho um problema na volta: quando entro na Rua São José e me deparo com a penumbra, os arcos de ferro e o lixo espalhado é como levar um soco na boca do estômago. Isso acontece porque gosto da cidade onde moro.
Não vou publicar
Lembram que comentei aqui sobre o pedido da Tia Alaíde para que eu publicasse na Coluna um conselho seu ao prefeito Marcelo Maranata? Fiquei em dúvida se deveria publicar ou não. Pensei, repensei, ponderei, observei e, finalmente, decidi que não vou publicar.
Minha decisão de não publicar o conselho da Tia Alaíde ao Prefeito Maranata se deve a alguns fatores. O primeiro é que conselho não solicitado não se deve dar. Segundo, quando alguém está decidido e empolgado com uma escolha, não cabe intromissão espontânea.
O conselho da minha tinha, que considero muito sábia e bem informada, está baseado em atalhos que não funcionam, como pular etapas importantes na política, e perder oportunidade única de participar como protagonista de momento histórico. Mas não vou publicar o conselho da Tia Alaíde. Decisão tomada pelos motivos citados.
O Lobisomem de Araque
Perdi as contas de quantas mensagens recebi de um suposto homem fantasiado de lobisomem que assustava moradores da Cohab (sempre que inventam coisas, dizem que aconteceu na Cohab). Ele teria sido preso em Guaíba. As imagens foram feitas com IA. Uma notícia falsa, mas nem por isso deixou de viralizar nas redes sociais como se fosse verdade. Muita gente ficou braba com o lobisomem de araque.
Na sequência, um vídeo publicado nas redes sociais da Prefeitura de Guaíba mostrava uma jovem sem medo do lobisomem, considerando que a Cidade está bastante iluminada. Aí me preocupei.
Leandro André

