Os Amigos e a Lógica da Vida

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Nem sempre – ou quase nunca – a vida é fácil. Por isso e por tantas vezes ela nos surpreende. Os momentos mais dilacerantes da nossa existência são aqueles que envolvem a dor da perda. É quando a porta da casa de algum amigo se fecha para sempre. E mesmo que as palavras percam o sentido nessas horas a nossa resignação cunhou um termo meio antipático: “fim de um ciclo”. Um ciclo de vivências, convivências e confidências, de descobertas, desabafos, de conversas jogadas fora, do eco proporcionado pelo riso fácil da piada antiga, das histórias repetidas, do brinde por qualquer coisa mesmo que sem importância. Ocasiões especiais onde todos são culpados e cúmplices de tudo ao mesmo tempo. Até mesmo dos silêncios. E o mais difícil é aceitar que o destino coloca um prazo de validade para que os amigos virem ausência.

Outra ironia do destino é saber que aqueles momentos inesquecíveis com os amigos agora são registros cobertos de poeira e de lembranças presas num tempo que não volta mais. E a tecnologia, essa inimiga insensível e traiçoeira, faz a sua parte: substitui aquele velho álbum de fotografias pelo mundo digital com a intenção de evitar o constrangimento de alguém que nos pergunte: “quem eram essas pessoas?”. É a velha máxima que diz: “um dia seremos apenas uma foto num porta-retratos de alguma estante”. Com o advento do mundo digital, do celular que foi descartado e com pouca memória, que vai ficar sem bateria, talvez nem isso. Antes, a vida passava enquanto a gente esperava pelos reencontros. Hoje dizemos que Deus não quis. Simples assim.

Mas a lógica é essa: todo dia uma lição nova e diferente. O fato melancólico é que os amigos de verdade – aqueles que só acrescentam à nossa existência – não se vão e nem se esquecem. O consolo é que viver nunca é em vão quando se tem bons amigos. Aqueles com quem passamos os melhores momentos do resto de nossas vidas. Guarda-se algumas vezes uma leve tristeza, momentâneas ou eternas, porque algumas pessoas têm preço, mas os verdadeiros amigos têm valor. Eles são a família que escolhemos. Nos ajudam a ser mais humanos.

A gente pensa que sabe quem são os amigos verdadeiros, aqueles que sempre estarão por perto nas horas boas e naquelas nem tanto, independentemente do que aconteça. Isso é o que a gente imagina. Não que esses amigos deixam de existir, mas somos nós que mudamos. Não temos mais tanto tempo ou interesse em manter mil conversas para atualizar a todos sobre as nossas vidas e imaginamos que aquela pessoa também não se importa muito com isso ou que quer cobrar algo que a gente não pode dar. E por essas e outras a pessoa desaparece da nossa vida como se ela nunca tivesse existido. Eu admito que sou uma pessoa que tenho mais amigos do que minha capacidade de os manter. Mas nunca abro mão de uns poucos e bons; porque um fato mais do que óbvio é que as amizades exigem investimento, atenção, reciprocidade, trocas. E aqueles dos quais me afasto têm razão quando reclamam de mim. Se por hora não me fazem falta, em algum momento serão imprescindíveis.

Uns vem, outros vão e a vida segue com aqueles que ficam – e esses são muitos, eternos e incondicionais. E os que foram? Os que foram, um até breve!!! Tenho um desses amigos de fundamental existência que sempre me diz: “viva cada dia como se fosse o último. Porque vai chegar o dia em que você vai acertar”.

Daniel Andriotti

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