Uma Guerra em Curso

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É arma poderosa, esta de nos provocar medo. Seus tiros potentes, quando atingem corações amorosos e mentes pacíficas, ferem a simplicidade da vida comum, bombardeiam a fé, alijam a naturalidade dos sorrisos. Geralmente, é utilizada com o objetivo de destruir a nossa liberdade de pensar, de ir e vir ao nosso bel prazer, de conhecer a verdade e manifestar opiniões.

Há uma guerra em curso, anunciada pela Rússia, comandada pelo presidente-ditador Vladimir Putin, que tem esse arsenal sempre pronto para dominar qualquer inimigo, incluindo a Ucrânia, que já foi um território da antiga União Soviética, assim como a Rússia. Povos parentes, como árabes e judeus.

Já no seu primeiro ataque, assustou o mundo, alardeando a grandeza bélica da nação e a sua própria frieza. Mas vivendo de esconder a realidade dos seus comandados, se esqueceu, ele próprio, de observar a transformação do mundo. E também se assustou, porque agora somos uma aldeia global, em todos os sentidos que esse termo possa ser traduzido.

Eis que a Ucrânia, tendo se tornado uma nação independente, ao perceber o risco de voltar à condição de ditadura, depois de ter vivido a experiência da democracia, se encheu de milagrosa coragem. Porque aprendeu, nestes anos de liberdade, que voltando ao domínio do medo e da intolerância a vida seria praticamente impossível.

Minha emoção transborda ao saber que jovens soldados da Rússia, para não atacarem ucranianos, sabotaram seus próprios tanques de guerra, fazendo-os perder combustível. Porque a sensibilidade ucraniana também mora em corações do povo russo, há pouco tempo histórico eram todos uma só nação.

Uma arma usada por jovens ucranianos, para identificação de espiões russos em seu território, foi a palavra morango, que somente na Ucrânia é dita da forma correta. Assim, quando desconfiavam que alguém fosse informante do vizinho ditador, diziam apenas “diga morango!”, e o sotaque entregava os mal-intencionados.

A guia de turismo e seu marido, que ajudavam brasileiros a saírem da Ucrânia, explicaram que os guiaram para conhecer as belezas locais, então era preciso ajudá-los a voltar para a pátria brasileira. “Queremos que retornem sãos e salvos para suas famílias”.

Em movimento contrário, uma mulher adulta desembarca na estação, retornando para a nação que sofre o desproporcional e desumano ataque. “Estou voltando para a Ucrânia, quero ficar com minha mãe, que já tem 90 anos. Estar ao seu lado para enfrentar esse conflito que não entendemos. Vou ficar aqui”, concluiu a corajosa e amorosa filha.

Há uma guerra em curso, assustando e emocionando o mundo.

 

Cristina André

cristina.andre.gazeta@gmail.com

Publicado em 04/3/22

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