Temos que superar a xucrice

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O título acima é duro, eu sei, mas temos que falar sobre isso. Vamos lá.

A cidade de Guaíba tem uma orla cinematográfica. Cenário muito lindo, que exibe grande extensão de água, a Capital dos Gaúchos e montanhas ao fundo. Deste lado, uma passarela que preside a caminhada, parques verdes de confraternização, um morro com vegetação nativa, uma escadaria arrojada e um casario na arquibancada. Como estamos acostumados com a Aldeia, parece que estou exagerando, mas quem vem de fora encanta-se com a paisagem. E se tem a sorte de ver o nascer da Lua cheia, custa a fechar a boca.

Dito isso, vamos à xucrice do título, considerando a tradução da expressão gaudéria como uma encolha para explorar a boniteza.

A proprietária de um bar na Beira tenta instalar um deck na frente do seu estabelecimento, equipamento comum em ambientes gastronômicos mundo afora, mas aqui ela não consegue liberação do projeto, conforme matéria nesta edição da Gazeta. Por outro lado, está liberado o estacionamento de caminhões no cartão postal da Cidade.

É preciso transcender a xucrice e compreender o tamanho do potencial que temos para desenvolver o turismo numa região metropolitana com poder aquisitivo significativo, mas que carece de atrativos. Isso deve começar com uma integração entre o gestor público e os proprietários de estabelecimentos gastronômicos, tanto do Centro como da Praia da Alegria. Quando isso acontecer, ao invés de caminhões enfileirados para descarregar mercadorias a qualquer hora do dia, haverá restaurantes e bares enfileirados, com pessoas confraternizando.

Na Serra Gaúcha, criaram o concorrido “Caminhos de Pedra”, um roteiro gastronômico surgiu no meio do nada. Aqui, uma empresária luta há quase um ano para instalar um deck na frente do seu bar.

Nesta sexta-feira, 29 de outubro de 2021, o Governo Municipal de Guaíba está lançando seu projeto de turismo. Vamos saudar a iniciativa, contribuir com a sua execução e acompanhar para ver se vai sair do papel, porque já passou da hora de superarmos a xucrice.

 

Quem Fiscaliza?

Depois que a Gazeta publicou uma matéria na edição do dia 22 de outubro, abordando sobre as obras da Corsan e o desperdício de dinheiro público, leitores intensificaram o questionamento sobre a fiscalização da Prefeitura. Quem fiscaliza as obras da Corsan? Como é feita a fiscalização, principalmente em relação ao fechamento dos buracos? Usam o mesmo material original?

Encaminhei as perguntas à Prefeitura e recebi como resposta a nota que segue, entre aspas, que publico na íntegra.

“A Prefeitura não tem o poder de fiscalização sobre as obras das empreiteiras contratadas pela Corsan. Essa relação contratual é entre Corsan e empresas terceirizadas. A Prefeitura só pode, e está notificando a Corsan sobre as obras entregues sem a devida qualidade. Após a notificação e não havendo a devida correção, a Prefeitura multará a Corsan, conforme previsão legal.

A Secretaria (não foi divulgado qual) já fez um levantamento das obras entregues e já notificou a empresa sobre algumas irregularidades. A empresa tem um prazo de 30 dias para sanar as irregularidades, não havendo, receberá uma multa.”

Se fosse um prato, esta resposta seria uma salada de chuchu.

 

Pobre do Esporte

Essa semana, visitei a Diretoria de Esportes de Guaíba. Vi uma equipe com vontade de trabalhar e esperançosa. No entanto, estão lá amontoados numa espelunca, uma espécie de depósito no Ginásio Coelhão, sem telefone nem acesso à internet. Uma tristeza.

Essa falta de atenção ao esporte vem de longe, bem de longe. No País inteiro é assim. Se os gestores públicos acreditassem no poder do esporte, tudo seria diferente.

 

Homenageado

Nesta sexta-feira, 29, recebo a Medalha ao Mérito “Freguesia das Pedras Brancas”, juntamente com o ex-prefeito de Guaíba, Maneca Stringhini; o presidente da Ouro e Prata, Hugo Fleck; o prefeito de Porto Alegre e presidente da Granpal, Sebastião Melo; e a diretora do Projari, irmã Nilva Dal Belo. Fico muito honrado com a homenagem e agradeço de coração.

Eu moro em Guaíba há 35 anos. Já fui diretor Municipal de Meio Ambiente, quando implantamos o Parque Natural (Área Verde), onde a comunidade se encontra, entre outras ações. Ajudei a fundar a AMA e o Pró-Cultura. Há 28 anos, fundei a Gazeta Centro-Sul, onde trabalho diariamente, buscando fazer o melhor para informar a população com profissionalismo. Fundei o Instituto People, onde também atuo com trabalhos de pesquisa. Fui diretor Cultural do Itapuí num período em que o Clube bombava na gestão do Régis Calegari. Fui professor de inglês por 23 anos no Curso Know-How e escrevi o livro Guaíba Outra Margem, uma narrativa que inicia na primavera de 1691 e segue até 2018. Mas, o mais importante de tudo, foi a família maravilhosa que constituí e as amizades que construí nesta Cidade que me acolheu e que amo de verdade.

Muito obrigado, Guaíba!

 

Leandro André

leandro.andre.gazeta@gmail.com

Publicado em 29/10/21.

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