Por Trás do PL36

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Aparentemente, o PL36 é mais um projeto de lei do Executivo de Guaíba contrariando o magistério municipal. Só que não. Este projeto não foi votado na sessão do dia 20 de maio, devido a um pedido de vistas do vereador Tiago Green, da oposição, que conta com apenas dois dos 17 vereadores da Casa. Acontece que o pedido foi aprovado por 10 a 6, com oito votos da base governista (Gabi Panazzolo, Arilene Pereira, Nelson do Mercado, Gilsão, Alisson de Jesus, Juliano Ferreira, Everton da Academia e Cristiano Eleu), mais os dois votos da oposição: Tiago Green e Manoel Eletricista. Isso significa que quando o tema envolve os professores a turma do amém balança.

Outro destaque relevante na esteira do PL36 foi o alerta do SPMG, afirmando que 60% dos professores chamados no último concurso público não permaneceram no cargo devido ao salário. Não sei se o percentual divulgado pelo Sindicato é real, mais sei que a desistência é fato significativo. Vou apurar isso.

 

Animais na Estrada do Conde

O problema é antigo, já aconteceram vários acidentes, e a Estrada do Conde segue com vacas e cavalos sobre a pista; um perigo. Desta vez (ver matéria nesta edição), parece que houve mobilização, envolvendo prefeituras, Estado, MP, Judiciário, polícias Civil e Militar e OAB. Se essa esculhambação não terminar é porque a irresponsabilidade venceu. Vamos acompanhar.

 

Poderes nada equilibrados

Frequentemente, me perguntam o que eu penso sobre a interferência do STF no Congresso Nacional e no Executivo. Eu respondo que se os parlamentares não tivessem tantos processos por desvios de dinheiro público ou envolvimentos em irregularidades, esta interferência, certamente não aconteceria.

Os que fazem as leis, em tese, têm mais poder do que os que as aplicam, mas se os que fazem as leis não as cumprem se tornam vulneráveis.

Vamos lá. Se 90% dos parlamentares do Congresso Nacional (o certo seria 100%) não tivessem pendências com a Justiça, cumprissem seus mandatos sem tanta preocupação com emendas e cargos, acredito que haveria equilíbrio entre os poderes, conforme está previsto na Constituição, e o País estaria avançando no rumo certo.

Basta observarmos os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado nos últimos anos para entendermos o tamanho do buraco em que estamos metidos. Este quadro de desgraça carimbada mostra o peso da nossa responsabilidade com as eleições de 2026.

 

Sobre o Suposto Golpe

Me perguntam também o que penso sobre a suposta tentativa de golpe. Eu não tenho todos os elementos para afirmações. No entanto, pelo que tenho acompanhado, percebo uma indignação crescente de parcela significativa da sociedade desde a “descondenação” do Lula após julgamentos em três instâncias e a sua liberação para concorrer à Presidência da República. Isso nunca foi nem será digerido. A insatisfação culminou em desatinos. No entanto, juristas que não estão envolvidos nesse fanatismo da polarização garantem que pensar em cometer um crime, sem tentar de fato, não é crime. Dizem estes juristas imparciais, também, que vítimas e desafetos do réu não podem julgá-lo, o que parece elementar, mas não é o que está acontecendo.

Na minha opinião, o que aconteceu no dia 8 de janeiro foi baderna generalizada e vandalismo. As ações deveriam ser individualizadas e quem depredou o patrimônio público deve pagar pelos seus atos. Mas, no meu entendimento e de 70% da população, segundo recentes pesquisas de opinião, não foi efetivada uma tentativa de golpe.

Aquela condenação a 14 anos de prisão da mulher que escreveu a frase do ministro do STF, na estátua em frente ao palácio do Supremo, é um exemplo dramático de falha grotesca da Justiça que precisa ser corrigida.

O recado de que não existe mais qualquer possibilidade de golpe no Brasil foi dado. Agora, é preciso encontrar um meio de pacificar o País. A corda está esticando cada vez mais, sinalizando possível colapso social; um quadro agravado por desmandos e corrupção: roubam até dos aposentados que recebem um salário mínimo.

 

Leandro André

Publicado em 23/5/25

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