Os Natais da Minha Vida

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O Natal é o evento que mais representa a importância da família. Na minha infância, os Natais foram sempre espetaculares pelo envolvimento antes, durante e depois das festas. Um mês antes do dia 25 de dezembro, nós comprávamos a árvore de Natal. Na época, anos de 1960, eram pinheiros naturais vendidos em via pública. Hoje, isso seria ofensa.

A compra do pinheirinho era um acontecimento de destaque. Meu pai fixava o bagageiro em cima do carro, um Renault Juva 4 (se tiver curiosidade, pesquisa no Google para conhecer o modelo). Então, toda a família seguia para comprar a árvore. Nosso fornecedor vendia os pinheiros num canteiro central da Avenida Plínio Brasil Milano, em Porto Alegre. Depois de olharmos alguns exemplares, minha mãe apontava e estava feita a escolha. Meu pai pagava e fixava a árvore espinhenta sobre o Juva.

Havia uma lata grande cheia de pedras que servia somente para fixar a árvore de Natal. As bolas dos enfeites quebravam com facilidade, o que necessitava de cuidado especial. Bolas, anjinhos, uma ponta no topo, algodão para imitar neve e luzinhas. Pronto. Emoção batendo no teto.

A preparação do Natal era rigorosamente igual, todos os anos. E era isso o que eu mais gostava, a repetição da alegria.

Nossa casa recebia pintura nova, total ou parcial, mas sempre tinha alguma arrumação de fim de ano. Regra. Minha mãe fazia doces de figo e de coco em calda e colocava em vidros grandes. Nada de comer antes do Natal.

Neste processo natalino, tinha cartinhas para o Papai Noel com os pedidos de presentes, que eram deixadas na veneziana da janela da sala para que o Bom Velhinho recolhesse. E podem acreditar, ele sempre recolhia.

Do dia da decoração do pinheirinho até a véspera do Natal, quando recebíamos os presentes, o tempo era lento como o Tio Ari estacionando o carro. Três dias antes, apareciam os pacotes sob a árvore enfeitada, o que levava eu e meus irmãos ao delírio. De cinco em cinco minutos, eu olhava para os pacotes, multiplicando a imaginação.

Na véspera do Natal, a grande noite, a mais bacana de todas, que fazia valer a pena enfrentar os perrengues do ano, todas as pessoas que eu gostava se reuniam. E ainda havia os presentes, os doces e a correria com os irmãos e os primos.

Na juventude, depois do baque de saber que Papai Noel não existia, as festas de Natal tiveram nova atmosfera, mas não menos intensa. Natal lá em casa tinha família reunida, mesa farta e pinheiro enfeitado piscando. Um comando de tias bem-vestidas, com cabelos armados e bocas vermelhas se reuniam em assembleia junto com meus pais e avós. Os tios se reuniam em grupo, num círculo, bebendo cerveja e dando risadas; viravam adolescentes. Meu pai costumava contar a mesma piada, a do homem fofoqueiro que chega para escutar as conversas dando passinhos curtos. Meu pai imitava os passinhos. Ao observar, mesmo de longe, minha mãe comentava: o Sady está contando a piada dos passinhos…

Fui um jovem cheio de ideias revolucionárias e rebeldia, mas, no Natal, meu cérebro acionava uma chave e eu me transformava no conservador juvenil do ano.

Na vida adulta, já como pai, repeti os rituais com a minha filha Luana. Desta vez, a árvore de Natal já era artificial e as bolas de enfeite inquebráveis. Teve adaptações, mas a essência do Natal se manteve, com árvore enfeitada, cartinha para o Papai Noel, doces e família reunida.

Com a neta Isabela, já na era digital, aconteceram outras adaptações, mas segue a essência da família reunida, das boas histórias, das lembranças dos que partiram, mas sem deixar o astral cair.

Os cabelos das tias não são mais tão armados, não tem mais a piada dos passinhos, não ganho mais meias de presente da minha avó. Os tios usam bermudas e continuam ainda mais adolescentes nas festas de Natal; as tias e avós bebem espumante e ficam saidinhas. No contexto, tem gente trocando mensagens no celular, pois os cartões de Natal em papel foram substituídos por cards. Algumas coisas mudaram, mas, o mais importante, aquela atmosfera festiva dos Natais antigos, ainda permanece viva na minha família.

E cada vez que lembro dos que já partiram deste mundo e de seus momentos relevantes nas festas natalinas, eu os mantenho vivos, evocando as cenas bacanas do convívio que tivemos. Me flagro rindo da piada dos passinhos, degustando o doce de coco da minha mãe e fingindo surpresa com a meia que recebia de presente da vó. O bacana dos Natais da minha vida é que não falta ninguém da família.

 

Movimento “Juntos”

O evento de lançamento do movimento “Juntos” foi bastante prestigiado, na noite de quarta-feira, 20, considerando o tanto de gente que compareceu. Ver matéria nesta edição.

A oposição parece ter compreendido que somente com uma união sólida poderá ter chances de conquistar a Prefeitura de Guaíba nas eleições de 2024. A Cleusa Silveira, nome de destaque no grupo, assinou com o PSDB, mas, pelo que vi, o Carlinhos Vargas do União Brasil irá coordenar a campanha.

 

Marcão do Povo na Câmara

O segundo suplente do Republicanos assume cadeira na Câmara Municipal de Guaíba nessa sexta-feira, 22. O Marcão do Povo, conhecido pelas críticas divulgadas em vídeos na Internet, terá pouco tempo para mostrar serviço. Vamos acompanhar.

 

Reestruturação da Orla

Participei da audiência pública de apresentação do plano de reestruturação da Orla Central de Guaíba. Ver reportagem nesta edição. O projeto é interessante, ousado, e se propõe a virar a página, mas entendo que necessita de ajustes. É preciso preservar o patrimônio sem tentar enfeitá-lo. Além disso, é preciso colocar mais verde no ambiente. Voltarei ao tema.

 

Orçamento de Guaíba 2024

A Câmara Municipal aprovou o Orçamento de Guaíba para 2024: R$ 552.246.300,00. Dinheiro, tem.

 

* Na próxima edição, Retrospectiva do Ano e Avaliação do Governo Maranata. Feliz Natal!

 

Leandro André

leandro.andre.gazeta@gmail.com

Publicado em 22/12/23

 

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