Feliz Ano Velho, Brasil

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Chega ao final mais um ciclo de revolução completa do nosso planeta em torno do sistema solar. Ano duro, difícil, constrangedor. Mas, em relação aos dois últimos pelo menos, a Covid deixou de ser protagonista de morte absoluta – passando a ser apenas pontual – graças à vacinação, ainda que lenta e gradual diante do que era a nossa necessidade e as nossas expectativas. De resto, as decepções de sempre: principalmente com a política, com a economia, com o futebol, com a escassez de dinheiro e com a esperança de dias melhores.

Nas últimas duas décadas fui governado por presidentes que não ajudei a eleger. Mas sempre deixei muito claro que, uma vez revelado o resultado das urnas, independentemente do nome do candidato, do partido, da capacidade e da ideologia, eu sempre torço desesperadamente para que tudo dê certo com a sua gestão. Rezo, de joelhos, para que ele faça o melhor que puder por todos os brasileiros – e não apenas para os seus simpatizantes – pois afinal de contas é a teoria do “estamos no mesmo barco”. Isso porque é nítidos que para alguns exista o colete salva-vidas. Para outros, resta apenas saber nadar. Em todo esse período eu venho só nadando… e contra a correnteza.

As absolutas semelhanças entre esquerda e direita no Brasil se dão em torno dos interesses dos indivíduos versus o papel do governo. Traduzindo: grande parte da falta de solução para os nossos problemas – além da interminável e avassaladora corrupção – está no fato que tem sempre uma parte da população torcendo para o país dar errado porque o seu candidato perdeu a eleição. E como diz um amigo, o Brasil começou a dar errado quando Pedro Alvares Cabral desembarcou aqui…

Por isso, conchavos políticos de um modo geral e conforme ensina a cartilha da nossa história, são tramoias entre quadrilhas e quadrilheiros para conquistarem o poder e exercê-lo de acordo com seus interesses. Exemplo: quando Geraldo Alckmin deixou o PSDB – partido que ajudou a fundar – indo para o PSB a fim de se colocar à disposição da esquerda como vice de Lula, percebi que o desastre moral havia extrapolado todo e qualquer capricho poucas vezes visto neste país, mesmo que num ambiente político onde já se teve de tudo. Não existe um minúsculo pingo de sinceridade em qualquer tipo de promessa que Alckmin possa estar fazendo ao PT. Os fatos negativos que tornaram Lula um ex-presidiário e ex-condenado não desapareceram. Continuam todos aí, do mesmo tamanho. Mas Alckmin decidiu que eles não existem mais e agora retorna de mãos dadas com Lula ao lugar que ele mesmo batizou como ‘cena do crime’. Por sua vez, Lula também não acredita em nenhum agrado que recebe do seu vice-presidente eleito, mas acatou a todos – afinal de contas, poemas ao fingimento é a coisa mais natural do mundo. Eis aí, o maior conto do vigário que já foi aplicado no eleitor brasileiro numa campanha eleitoral.

E por culpa de quem? De um presidente das ilusões perdidas, que não consegue provar que seus filhos não são milicianos, que renunciou à ciência e tentou se reeleger muito mais às custas dos erros do seu adversário no passado do que confiar nos seus próprios méritos. Ruim de um lado, pior do outro, a tão esperada ‘terceira via’ não decolou. Mas teve de tudo: cangaceiro, empresário, padre que não era padre, mulheres, economistas, advogados. E antes das prévias? Teve ex-juiz e ex-apresentador de TV, aprendiz de terrorista que joga granadas na Polícia Federal. E embaixo de toda essa lona de circo falido está o povo, extorquido e sonhando com picanha, mas sabendo que vai ter que se contentar com migalhas.

Na próxima semana, se não houver a minha coluna, é porque o super-mega-todo poderoso-deus Ministro do STF Alexandre de Moraes leu a Gazeta e mandou me prender.

Feliz ano velho, Brasil.

 

Daniel Andriotti

Publicado em 30/12/22

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