Fatias de Atenção, Colheradas de Tempo

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Ao perceber que dezembro voltou, imediatamente me vem à memória a Ceia do Natal, com seu cardápio especial. Gosto de planejar e montar a mesa natalina, curto cada detalhe. Já faz bom tempo, aprendi que é perfeita a parceria entre simplicidade e sabor, criatividade e prazer de realizar esse trabalho – excelente forma de expressar gratidão pela vida.

Há um mundo encantado que visito quando preparo boa refeição caseira para a família, um bolo para o café da tarde, sobremesas especiais para o jantar em que receberemos amigos queridos. Costumo me referir a esses momentos de trabalho gastronômico como “minha terapia”, tamanho é o bem que me faz.

Extrema delicadeza é necessária neste tempo desembarcado no universo dos meus cadernos de receitas, dos utensílios – os tradicionais e os modernos. Toda atenção é pouca no vaivém entre os lugares dos ingredientes, com paradas estratégicas no fogão, quem sabe para diminuir a chama, que precisa se manter na medida certa – feito cada coração nosso, para criar o verdadeiro aconchego.

Detalhes completam a magia, da toalha escolhida para cobrir a mesa aos pratos e talheres em seus devidos lugares, copos para água, cálices de vinho. Taças de espumante a postos, cesta de moranguinhos, doces na geladeira, guardanapos decorados.

São muito boas essas horas todas de envolvimento, flores e arranjos se ajeitando em lugares estratégicos da casa, pensamentos conectados com aqueles que estarão à mesa conosco. Para sempre serão lembrados, esses momentos de terapia seguidos de agradável compartilhamento com pessoas queridas.

Tudo isso aprendi observando a grande professora de arte culinária que foi minha Mãe, ouvindo seus conselhos sobre a felicidade que podemos encontrar nas tarefas corriqueiras dedicadas às pessoas do bem. Procuro seguir todos os preciosos ensinamentos daquela dedicada e naturalmente alegre filha de imigrantes italianos.

Ao perceber que dezembro voltou, imediatamente me vem à memória a Ceia do Natal, com seu cardápio especial. Ativo os modos paciência e concentração para fazer doces e salgados, medidas perfeitas da saudade se transformando em grandiosa esperança.

Há muito mais do que simples degustação em uma refeição caseira preparada para as pessoas do nosso afeto. Entre fatias de atenção e colheradas de tempo, vamos expressando a gratidão pela vida.

Cristina André

cristina.andre.gazeta@gmail.com

Publicado em 01/12/23

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