Debates e reflexões sobre o combate ao bullying e à violência nas escolas se intensificam. Segundo um levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), um em cada três estudantes em todo o mundo já foi vítima de bullying. As consequências disso vão desde o declínio do desempenho escolar até problemas de saúde física e mental, como ansiedade, depressão e baixa autoestima.
No Brasil, por exemplo, pela primeira vez na história, os registros de ansiedade entre crianças e jovens superaram os de adultos, é o que mostra análise feita a partir da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS, em levantamento feito com base nos últimos 10 anos.
Outro estudo alarmante mostra que os casos de bullying em instituições de ensino aumentaram 67% no ano passado, conforme aponta o Painel de Dados Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Foram registradas 2.346 denúncias em 2024, contra 1.399 em 2023.
Segundo Luana Mello, docente do Curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, os pais desempenham papel essencial na educação dos filhos, ajudando-os a compreender a importância do respeito e da empatia. Além do exemplo, o diálogo aberto e constante é fundamental para combater o bullying.
“Diversos fatores podem contribuir para essa tendência, muitos dos quais estão ligados a mudanças no estilo de vida moderno, na sociedade e no ambiente ao redor das crianças. Os casos mais comuns são alterações hormonais ou estruturas cerebrais, mas também maus-tratos, violência psicológica, mudanças de escola, divórcio dos pais e uso excessivo de redes, podem desencadear problemas psíquicos”, alerta Luana.
Para Luana, os pais precisam atuar nesse processo de desenvolvimento a fim de identificar qualquer instabilidade emocional, como: quadros de tristeza excessiva, desanimo em qualquer atividade da rotina todos os dias, diferenças claras no comportamento com outras crianças, isolamento social, alteração no sono e apetite, déficit de atenção, dificuldades de aprendizagem e em se concentrar.
“Os tipos de tipos de bullying são: físico, verbal, social e cibernético. Através da identificação precoce, comunicação aberta, educação, apoio emocional e intervenção, eles (pais) podem ajudar seus filhos a enfrentar e superar os desafios associados ao bullying”, destaca.
Cuidados com o uso de antidepressivos
O Conselho Federal de Farmácia (CFF) também destaca que a venda de antidepressivos e estabilizadores de humor cresceu cerca de 58% entre 2017 e 2021. Embora o tratamento seja essencial, especialistas estão preocupados com a crescente medicalização, especialmente entre as crianças, e os riscos associados a essa prática.
De acordo com a psicóloga, os antidepressivos só devem ser prescritos para crianças em casos de depressão moderada a grave ou em condições como transtornos de ansiedade, TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) ou TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e mesmo assim, quando outras intervenções, como psicoterapia, não forem suficientes.
“A psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), costuma ser a primeira linha de tratamento para crianças e adolescentes com problemas de saúde mental. Antidepressivos são considerados apenas quando a psicoterapia isolada não é eficaz”, alerta.
Foto: Divulgação
Publicado em 25/4/25



