Com a Máscara de Dalí

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Se em algum momento da vida, caro leitor, passou pela sua cabeça ingênua uma mínima vontade de roubar um banco no sistema ‘muita estratégia, sangue frio, violência zero e nenhum tiro’, melhor não assistir “La Casa de Papel”, uma das mais badaladas – e também mais premiadas de todos os tempos – séries de TV do mundo inteiro.

Calma leitores, não vou ficar aqui ‘dando spoilers’ do que acontece ou do que deixa de acontecer porque muita gente ainda não assistiu e sei que gostaria de fazê-lo. Quem ainda não viu, veja. Garanto que não vai se arrepender. O que posso dizer é que se trata de dois assaltos minuciosamente planejados nos seus mínimos detalhes por vilões carismáticos e inteligentes. Um deles, não por acaso conhecido como ‘professor’; e o outro, seu irmão, um homem frio, hipnótico, sofisticado e perturbador. O primeiro roubo é contra a Casa da Moeda Real da Espanha e o segundo contra o Banco Central da Espanha, ambos em Madrid.

La Casa de Papel iniciou em 2017, sem muita badalação, com orçamento limitado e veiculação pela rede espanhola Antena 3. Até então, ninguém acreditava muito no seu sucesso. Só quem se deu conta de que ali poderia estar uma ‘verdadeira casa da moeda’ foi a Netflix, provedora global de filmes e séries de televisão através da plataforma streaming, com mais de 200 milhões de assinantes no mundo inteiro. Tanto que adquiriu seus direitos globais e readaptou todo o roteiro, a começar pela duração dos episódios. Talvez, por isso e a partir daí muita coisa tenha piorado na sequência da série uma vez que a produção passou a abusar de recursos do tipo ‘flashback’ para o devido ‘enchimento de linguiça’ e a consequente sequência por mais outras e tantas temporadas numa nítida percepção que não havia mais fôlego para o enredo. Como o que quase sempre acontece com a maioria das séries da Netflix.

Mas, verdade seja dita: se antes tudo era muito light, a partir da terceira temporada – e principalmente nessa primeira parte do quinto e, talvez, último episódio – violência é o que não falta em La Casa de Papel. Isso porque lá atrás, bem no começo, a gente se iludia com a impressionante capacidade de resolução de problemas imprevistos do grupo criminoso que chegava a acreditar que não haveria tanto sangue nem muitos tiros, mas… só que não. Claro que em se tratando de um cenário e um ambiente envolto em violência não poderia ser diferente, mas não precisava ter tanto tiro de metralhadora numa inversão desproporcional ao número de mortes. Rajadas, rajadas e mais rajadas, paredes perfuradas, vidros quebrados, destruição generalizada e todo mundo ali, vivinho da silva. Um arranhãozinho aqui, outro ali, um cortezinho, uma manchinha de sangue… A cada um milhão de tiros, morre uma pessoa. Em se tratando de ficção, tudo bem. Mas chega uma hora que isso cansa e fica chato. Seria muito bom se a vida imitasse a arte como acontece em La Casa de Papel. Como a realidade é bem diferente, avalie com carinho – e mais de uma vez – quando for pensar em roubar um banco…

* * *

A Semana Farroupilha sempre enche de orgulho a gauchada da Província de São Pedro. Afinal de contas, trata-se da mais longa revolução do Brasil, de caráter republicano contra o império e que teve início em 20 de setembro de 1835 e durou quase dez anos. Seus ideiais: liberdade, igualdade e humanidade. Cem anos antes da nossa revolução, a França já havia copiado o nosso slogan substituindo ‘humanidade’ por ‘fraternidade’. Até aí tudo certo. Mas lá no fundo – bem no fundinho – a gente sabe que comemoramos uma guerra… ah, deixa prá lá. Guerras se ganham ou se perdem, muito mais pelas ideias do que pelas armas. O que realmente importa é que a Epopéia Farroupilha se constituiu num marco fundamental da nossa história. O resto é filosofia de boteco.

 

Daniel Andriotti

daniel.andriotti67@gmail.com

Publicado em 17/9/21

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