Meus olhos se enfeitaram de luzes e cores no amanhecer de domingo, o primeiro de dezembro, mês que me faz sempre encantada com o extraordinário milagre da vida.
É o melhor dos doze de cada ano, período ideal para resgatarmos conexões essenciais de outros tempos nossos, de reativarmos a banda larga da fé, de colocarmos holofotes no amor e na esperança.
Adoro dezembro por sua tradição de reunir famílias para contar e ouvir histórias em que todos são personagens principais. Pela possibilidade de compartilhar doces e saudades, de brindar o passado, saudar o presente e acreditar no futuro. Porque é isso que melhora o mundo.
Quando a gente olha para os lados, há pinheiros com bolas coloridas e laços de fita, luzes imitando as estrelas.
Lembranças da infância se agigantam, aquecendo corações, assim como a emoção de ver as crianças que agora nos presenteiam de vida.
Porém, há quem diga nada ver de especial que vá além dos outros onze meses, afirmando categoricamente que os reencontros familiares são forçados, as despesas com presentes aumentam, a fé é suplantada pelo consumismo, além das doloridas saudades aumentarem a cada dezembro que chega.
São várias as controvérsias sobre a alegria e a beleza da chegada do mês natalino. Compreensíveis, afinal, tristezas e ausências estão sempre por aí, rondando existências, fazendo sua parte na melancolia pelas perdas.
Contudo, por serem irremediáveis certas ausências, o tempo das presenças é o que precisa ser ressaltado no mês que completa cada encerramento de ano. É justamente por isso que é o tempo de celebrar o divino nascimento.
É dezembro outra vez, que seja bem-vindo este mês abençoado, feito para as reuniões em família, as orações e os abraços – o melhor dos doze de cada ano.
Período propício para resgatarmos conexões essenciais de outros tempos nossos, de reativarmos a banda larga da fé, de colocarmos holofotes no amor e na esperança.
Cristina André
Publicado em 6/12/24

