Alegorias na Pandemia

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Sim, sou brasileiro, não sou do Rio de Janeiro e… não gosto de carnaval. Talvez seja uma espécie de fobia social. A mesma que com o ‘avanço da idade’ me afastou dos estádios de futebol. Mas antes de continuar, um esclarecimento: não tenho nada contra as pessoas que gostam de carnaval. Eu mesmo já gostei, um pouco, num passado distante.

Tem quem não goste de cerveja. De vinho. De futebol. De samba. Não é o meu caso. Eu não gosto de carnaval. Não é o carnaval pelo carnaval. Até porque eu nasci durante um carnaval e vez por outra, meu aniversário ‘cai’ em meio a um feriado de carnaval. Me agrada, no entanto, os dias de descanso e entendo que a festa fortalece a economia do país. Até porque estamos falando da mais pura representação da cultura popular. Afinal de contas, dinheiro e exposição de corpos nus geram recursos e divisas em nações terceiro-mundistas. O que me incomoda são os excessos – especialmente nesse período ‘quase pós-pandemia’: aglomeração, descontrole, desrespeito, abandono das regras de civilidade e da boa convivência, das ruas que viram motéis e latrinas a céu aberto e posteriormente se transformam em depósitos de lixo. Lixo esse deixado por gente suada, bêbada, sem limites. Gente essa que se preocupa em salvar a Amazônia…

Estamos há dois anos sem carnaval pelos motivos que todo mundo está cansado de saber. Há uma data prevista, a se confirmar, entre 20 e 23 de abril – aproveitando-se do feriado de Tiradentes e considerando que até lá ninguém mais vai contrair ou morrer de Covid – para um Carnaval ‘fora de época’, no Rio e em São Paulo quando as escolas de samba do chamado ‘grupo especial’ deverão ir para a avenida. Máscaras??? Só as que compõem as alegorias…

Mas voltando à rabugice: se você também faz parte da turma que prefere a calma e a meditação longe das cuícas, dos tamborins e dos repiniques e para isso vai pegar a estrada (sim, será um feriadão)… má notícia: boa parte da população brasileira terá a mesma ideia. Por isso, nossas precárias rodovias estarão lotadas e por vezes, engafarradas. Isso porque muitos, como nós, querem escapar da folia enquanto outros tantos estarão indo atrás dela. Pela mesma estrada. E tanto faz se você foge ou se aproxima do ziriguidum, tudo tem um preço: em qualquer lugar do país tudo estará custando bem mais do que normalmente custaria em outros períodos do ano. Em ‘economês’, isso tem um nome: alta temporada, mesmo em abril.

Optar por ficar em casa pode ser um bom negócio desde que você não passe os quatro dias nas redes sociais ‘apatifando’ com quem gosta do carnaval. Melhor ainda se você tem TV a cabo. Se não, má notícia parte II: a grande mídia não respeita a pluralidade das opiniões. As poucas emissoras de TV aberta irão transmitir os ensaios, o aquecimento e os desfiles, mais desfiles e todos os desfiles durante os sei-lá-quantos-dias. Mas ‘somente’ os do Rio, de São Paulo, de Olinda, de Recife e, evidentemente, o de Salvador. Em alguns momentos, transmissões ao vivo. Em outros, vídeo tape completo ou “os melhores momentos”. No caso de Rio e São Paulo, a ‘coisa’ mais ou menos termina na transmissão da apuração dos desfiles das Escolas de Samba. E a voz grave do locutor no alto-falante: “acadêmicos disso-e-daquilo: deeeeeeeeeeezzzzz!!!”. Portanto, não há como escapar. Antes, tudo se acabava na quarta-feira. Agora, só Deus sabe… quando termina e quando acaba. E se acaba….

 

* * *

O Campeonato Gaúcho, já faz algum tempo, manda recados sutis à diretoria e aos torcedores da dupla: que ao longo do ano, as coisas vão piorar. Contratações erradas associadas à gestão medíocre, não necessariamente nessa ordem, resulta na qualidade do futebol que estamos vendo. Será mais um ano duro. A não ser que você torça para Flamengo, Atlético-MG, Palmeiras…

Daniel Andriotti

Publicado em 25/3/22

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