Adeus…

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Segunda, 1º de novembro de 2021, 9 horas. Uma manhã ensolarada espetacular, 23 graus. Incenso intensificando a sensação de bem-estar ao descartar papéis e objetos desnecessários no escritório da minha casa. Elis Regina cantando com aquela lindeza de entrega emocional e entusiasmo, aumentando mais uma oitava este momento único. Parei para escrever esta coluna. Quase um chamado ao tema – Adeus!

Dia 18, voo marcado para a França, onde ficarei por três meses. Minha companheira é francesa. Ela esteve no Brasil por três anos e teve de voltar por questões profissionais. Minha vez de mudar de chão, de nação. O plano é, no futuro breve, passar mais tempo na França.

Me deparei com minha casa cheia de coisas guardadas, muitas amontoadas, com objetos que podem chegar há décadas. Precisando passar por uma libertação, uma mudança, purificação… Com uma disposição forçada pelo início da mudança, comecei um descarte inadiável. Um turbilhão de memórias, vínculos, sensações… E muitos adeus. E que ação saudável é praticar o adeus. Percebi que finalizar ciclos é uma arte, que ainda não domino. Se não fechamos processos que terminaram seus ciclos, eles persistem como peso, como obstrução; uma espécie de prisão de ventre existencial. Ocupam um lugar nobre com matéria em decomposição, seja material, seja afetiva, que mais intoxica do que vivifica.

Analogias são normalmente ricas em aprendizados. O Budismo tem muito a ensinar sobre o dano do apego. Nos ensina muito sobre a impermanência também. Mesmo galáxias desaparecem com o tempo.

Conseguir estar no presente é outra arte que sou aprendiz. E descartar como opção, como necessidade consciente, pode transformar o sentimento de perda em libertação. Por isto escolho este tema para esta coluna, para motivar quem não tinha pensado nisto: em revisar seus guardados, materiais e imateriais, e avaliar com consciência do tempo presente se fazem sentido. Abrir espaço para novas experiências e aprendizados enquanto se tem opção, saúde e lucidez, perspectiva.

Esta coluna estará sendo distribuída pelo Gazeta quando eu ainda estarei no ar, no avião. Agradecido pelo destino me dar oportunidade de precisar renovar espaços, coragens, medos… E esperar pelo melhor, oferecer meu melhor, construir as melhores oportunidades.

Votos de uma ótima semana, como desafiadoras novidades nas suas vidas! Abraço!

 

* Joaquim Mello seguirá escrevendo sua coluna mensal da França.

 

Joaquim Mello

joaquim.mello@terra.com.br

Publicado em 19/11/21

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